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Paredes Meias

Saturday, April 10th, 2010

Paredes Meias de Pedro Mesquita, Panorama 2010, 10 de Abril 15h

A arquitectura tem sido nos últimos anos objecto do olhar de alguns realizadores, a crescente afirmação internacional de várias gerações de arquitectos portugueses – que em muito suplanta o já antigo reconhecimento de Álvaro Siza – tem levado a que, fora do âmbito da arquitectura, muita gente tenha alimentado o desejo de questionar, perceber e dar a ver alguns projectos relevantes da nossa história da da arquitectura.

Paredes Meias, de Pedro Mesquita, e As Operações SAAL, de João Dias, são dois exemplos recentes que partilham o destino do olhar mas partilham igualmente sucessos e insucessos que nos levam a questionar modalidades e processos neste território particular dentro do documentário.

Ambos os filmes provocam imediatamente no espectador menos alheio à arquitectura, e consequentemente mais ávido de um filme consistente no seu tratamento, a sensação de oportunidade perdida. João Dias, nas palavras de Ribeiro Chaves, seu produtor, tinha à entrada da sala de montagem mais de uma centena de horas filmadas, tendo ouvido quase todas, se não mesmo todas, as pessoas relevantes envolvidas no processo SAAL, cobrindo os papéis todos (habitantes, técnicos, académicos, etc.); Pedro Mesquita, com a tarefa de rodagem mais facilitada por tratar apenas um caso – especial, é certo – das operações SAAL, teve tempo para filmar os habitantes das duas fases do projecto, teve acesso ao arquitecto Álvaro Siza, autor do projecto, e ao arquitecto Alexandre Alves Costa, neste filme, como no de João Dias, representando o seu histórico papel de embaixador do SAAL, como ele próprio costuma, com boa disposição, intitular-se.

O sabor de oportunidade perdida vem-nos da constatação de que a produção conseguiu reunir os ingredientes fundamentais para uma reflexão séria e consistente sobre o fenómeno mas que, tanto num filme como no outro, o resultado se apresenta como uma deambulação insegura, inconstante, a que falta uma visão superior forte, capaz de dirigir o percurso do filme num sentido de contornos bem definidos e capaz de responder às perguntas e anseios do espectador.

Se no caso de As Operações SAAL, no final do filme, ficamos com uma panorâmica bastante alargada mas sem um ponto de vista claro sobre o seu objecto, em Paredes Meias chegamos ao fim com muito pouco sobre o Bairro da Bouça, sem perceber sequer afinal o que queria ser mostrado com o filme, chegamos ao fim apenas com as nossas próprias questões bem definidas, com um rol de perguntas sem resposta.

Tristemente, algumas das perguntas mais interessantes são respondidas em segunda mão pelo discurso ideológico, exterior e estereotipado de Alexandre Alves Costa: Quem são os novos habitantes da Bouça? Que motivações os levaram ali? Como se relacionam com o bairro e com os habitantes da geração anterior? Por outro lado, a disponibilidade de Álvaro Siza não é utilizada para nos explicar os grandes objectivos do projecto (da solução encontrada, entenda-se), desperdiçando tempo com as questões mesquinhas – ainda que legítimas – dos estendais, das soleiras e das rampas e, o que redobra a sensação de oportunidade desperdiçada, não aproveitando sequer o ensejo para se debruçar sobre a sobranceria de Álvaro Siza sobre regulamentos e que lhe permite, ao contrário do que se passa com o arquitecto comum, construir soluções de interesse plástico superior mas que desembocam em novos problemas na vida dos edifícios.

Claramente, a falta de uma visão disciplinar intrínseca do lado da equipa – não necessariamente do realizador, mas no mínimo em alguém com responsabilidade ao nível do argumento – é uma necessidade incontornável para documentários no âmbito da arquitectura, uma visão informada e questionante, mais até na vertente antropológica do projecto do que na vertente plástica. Uma definição clara da problematização colocada pelo filme e a preocupação de a manter presente durante a rodagem e, especialmente, durante a montagem, são lacunas nestes filmes mas que devem ser neutralizadas em olhares futuros, sob pena de se esgotarem as oportunidades de fazer documentários sobre uma boa parte dos casos relevantes da nossa arquitectura, pois o dinheiro não é infinito, nem a disponibilidade das pessoas.

Se indícios faltassem, poderíamos lembrar que, em ambos os filmes, as imagens de arquivo - em 4:3 - são inseridas no filme alterando-lhes as proporções, criando assim monstros grotescos que se passeiam pela tela, monstros que jamais poderiam habitar criações de quem tem formação plástica.

Mas, apesar de tudo, antes ter-se feito do que não se ter feito de todo.

Prof. Giovanni Ricciardi - fragmento de uma conversa em torno de Soeiro Pereira Gomes

Tuesday, March 16th, 2010

Pequeno fragmento de uma longa conversa com o Prof. Giovanni Ricciardi em torno de Soeiro Pereira Gomes. Cúmplices: Dra. Luísa Duarte Santos e Nuno Loureiro.

Giovanni Ricciardi é Professor de Literaturas Portuguesa e Brasileira na Universidade de Nápoles – L’Orientale.

Giovanni Ricciardi licenciou-se na Universidade de Roma, em 1968, com o poeta Murilo Mendes e a professora Luciana Stegagno Picchio, defendendo a tese: Struttura e forma in ‘Vidas secas’ di Graciliano
Ramos.

Bolseiro de Sociologia da Universidade de Roma, do Instituto de Alta Cultura e da Fundação Gulbenkian de Lisboa, começa a interessar-se pela Sociologia da literatura e pelos problema sindicais de América Latina, publicando Sociologia da literatura (Lisboa, 1971), Lineamenti di una sociologia della produzione artistica e letteraria (Nápoles, 1974) e América Latina: sindacati e società (1950-1970), (Nápoles, 1975).
Depois de uma década de docência em colégios em que publica textos escolares como Antologia di letture e ricerche (Milão, 1981), construída sobre artigos da Constituição italiana e Approfondimenti letterari (Milão, 1986), volta à Universidade e torna-se professor de Literatura Brasileira antes na Universidade de Bari (1983-1993) e depois na de Nápoles.

Começa então a sua pesquisa principal sobre o autor, através de entrevistas, ensaios, livros para a construção de uma metodologia crítica que ele chama Sociologia do autor ou Sociologia ‘para’ a literatura, publicando: Escrever (Bari, 1988), Avanguardia e stabilizzazione della coscienza (Bari, 1988), Auto-retratos (São Paulo, 1991), Escrever-2 (Bari, 1994), Soeiro Pereira Gomes: uma biografia literária (Lisboa, 1999), Auto-retratos de escritores goianos (Goiânia, 2001).

Em 2008 começou a publicação da coleção Biografia e criação literária, em 7 volumes, contendo as entrevistas de mais de 120 escritores e incluindo os CDs das mesmas. Fruto de anos de didática são os volumes: Antologia della letteratura portoghese (junto com Roberto Barchiesi) (Nápoles, 1998), Acquerello del Brasile (Nápoles, 2002) e Scrittori brasiliani (Nápoles, 2003).

Fragmento de uma conversa com o Prof. Giovanni Ricciardi em torno de Soeiro Pereira Gomes from escritaria on Vimeo.

Memória das Palavras no Museu do Neo-Realismo

Friday, May 22nd, 2009

Excerto de Memória das Palavras: Urbano sobre o Neo Realismo

O filme Memória das Palavras - Urbano Tavares Rodrigues, de António Castanheira, será exibido em data ainda por definir no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira. A sessão fará parte da programação da exposição biobibliográfica sobre o escritor que estará patente ao público entre 10 de Junho de 2009 e 28 de Fevereiro de 2010 e que tem curadoria de Luísa Duarte Santos e Sílvia de Araújo Igreja. O filme de Possidónio Cachapa O Adeus à Brisa será também exibido em data a definir. Poderemos assim assistir a duas visões “completamente distintas” (como disse o Urbano) que de certo modo se complementam para melhor compreender o escritor.

No interior da exposição poderemos também assistir a um curto videograma contendo planos da rodagem de Memória das Palavras que não foram incluídos na montagem final do documentário mas que se crê serem um contributo para o objectivo da exposição.

Abertura do blogue

Friday, May 22nd, 2009

Começa hoje formalmente a publicação de notícias informais sobre o decorrer dos projectos que envolvem o projecto escritaria e as pessoas e instituições com ele directamente relacionadas.

A Escritaria em Penafiel 2008, dedicada a Urbano Tavares Rodrigues, encerrou o ciclo de produção com a apresentação pública do filme Memória das Palavras - Urbano Tavares Rodrigues, de António Castanheira, em Lisboa no dia 12 de Maio mas prossegue a itinerância sob todas as formas. Depois de uma passagem discreta pela feira do livro de Moura (terra do Urbano) está ainda até amanhã na Biblioteca Museu Republica e Resistência, em Lisboa, uma exposição compacta que permite perceber o que foi o acontecimento de Penafiel. Peças originais, maquetes de trabalho, bibliografia, reproduções, fotografias e um vídeo podem ainda ser vistos na pequena sala do museu.

Cartaz da itinerância da escritaria

Cartaz da itinerância da escritaria