escritaria 2011 Mia Couto
October 10th, 2011Contaminar é a palavra de ordem para o Escritaria em Penafiel 2011, dedicado ao escritor moçambicano Mia Couto. Esta edição, que decorre de 15 a 30 de Outubro, marca também a abertura à lusofonia, que se pretende venha ser uma constante de agora em diante. Exposições, colóquios, música, teatro, cinema, artes plásticas, design, dança, gastronomia e a tradicional contaminação do espaço público do centro histórico de Penafiel serão as ferramentas que a organização – do Município, da Escritaria e da Edições Cão Menor – terá à sua disposição para contaminar com literatura em português os habitantes da cidade e os visitantes que se esperam.
A multidisciplinaridade, que caracteriza desde o início o Escritaria em Penafiel, juntará em torno de Mia Couto nomes como o do escritor angolano José Eduardo Agualusa, o cantor João Afonso, o encenador José Rui Martins, o do artista plástico, de origem moçambicana radicado em Portugal, Roberto Chichorro.
João Afonso trará ao Escritaria a música e certamente não deixará de brindar o público com o ambiente moçambicano do seu álbum Zanzibar, particularmente com a canção Mar me Quer, construída directamente a partir do Universo de Mia Couto, particularmente do conto homónimo que foi objecto de publicação autónoma no âmbito da Expo 98.
A contaminação continua a ser a fonte mais vigorosa da identidade do Escritaria em Penafiel e aquilo que o distingue inequivocamente dos restantes eventos literários. Como habitualmente, com concepção da dupla António Castanheira e Rui Martins, a contaminação deste ano mantém vivos e inalterados alguns itens clássicos, como as montras de livros, as caixas de literatura, a avenida em obras, os estandartes ou as infoboxes, e reinventa outros, como os post-its gigantes, que surgem desdobrados por inúmeras escalas distintas mas que têm como novidade o facto de serem verdadeiramente manuscritos pelos respectivos escritores.
Obedecendo à contenção própria deste tempo, o escritamia recupera estruturas criadas para o Escritaria de José Saramago, e já utilizadas no ano passado, para criar um percurso didáctico ao longo da avenida principal de Penafiel, oferecendo aos visitantes uma perspectiva panorâmica da figura de Mia Couto, recorrendo a uma forte componente iconográfica propositadamente desenvolvida para este contexto por Rui Martins. Facetas importantes mas menos conhecidas do escritor ficarão assim expostas à curiosidade de habitantes e outros visitantes.
A própria ideia de contaminação terá um destaque especial sendo evidente, ou até tema central, em itens como o floor signs, que acompanha as caixas de literatura na disseminação de contos de Mia Couto pelo chão da cidade e contribui em grande medida para o ambiente festivo que caracteriza toda a duração do Escritaria em Penafiel.
Novidade é também o palavrário, um dispositivo colocado no espaço público que irá permitir aos visitantes exercer a criatividade lexical à maneira de Mia Couto. Trata-se de um dispositivo constituído por um conjunto de caracteres móveis e por um espaço de composição, onde o transeuntes podem encontrar exemplos de invenções lexicais retiradas da obra do escritor e onde serão convidados a construir novas palavras.
Uma omnipresença simbólica de Mia Couto no centro da cidade durante todo o evento será garantida pelo item escritor na cidade, um conjunto de silhuetas que, a partir do interior de outras tantas janelas, permanecerão em literária vigília. A Associação Portugal-Moçambique junta-se ao Escritaria em Penafiel e com a responsabilidade de trazer para o evento o ambiente de Moçambique. De entre as várias acções e actividades destacam-se a gastronomia e as danças tradicionais.
















